Olá amados leitores desse blog, finalmente tirei umas férias abençoadas e muito agradecida a Deus por tudo. Vamos começar a leitura?

Biografia de Cecília Meireles

Cecília Meireles (1901-1964) foi uma poetisa, professora, jornalista e pintora brasileira. Foi a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, com mais de 50 obras publicadas. Com 18 anos estreou na literatura com o livro "Espectros".

Participou do grupo literário da Revista Festa, grupo católico, conservador. Dessa vinculação herdou a tendência espiritualista que percorre seus trabalhos com frequência. Embora mais conhecida como poetisa, deixou contribuições no domínio do conto, da crônica, da literatura infantil e do folclore.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901-1964) nasceu no Rio de Janeiro no dia 7 de novembro de 1901. Perdeu o pai poucos meses antes de seu nascimento e a mãe logo depois de completar 3 anos. Foi criada por sua avó materna, a portuguesa Jacinta Garcia Benevides.

Formação

Cecília Meireles fez o curso primário na Escola Estácio de Sá, onde recebeu das mãos de Olavo Bilac a medalha do ouro por ter feito o curso com louvor e distinção. Em 1917 formou-se professora na Escola Normal do Rio de janeiro. Estudou música e línguas. Passou a exercer o magistério em escolas oficiais do Rio de Janeiro.

Carreira literária

Em 1919, Cecília Meireles lançou seu primeiro livro de poemas, "Espectros" com 17 sonetos de temas históricos. Em 1922, por ocasião da Semana de Arte Moderna ela participou do grupo da revista Festa, ao lado de Tasso da Silveira, Andrade Muricy e outros, que defendia o universalismo e a preservação de certos valores tradicionais da poesia. Nesse mesmo ano, casou-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas.

Cecília Meireles estudou literatura, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931 e publicou vários artigos sobre educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro. O interesse de Cecília pela educação se transformou em livros didáticos e poemas infantis.

Ainda em 1934, a convite do governo português, Cecília viaja para Portugal, onde proferiu conferências divulgando a literatura e o folclore brasileiros. Em 1935 morreu seu marido.

Professora

Entre 1936 e 1938, Cecília lecionou Literatura Luso-Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1938, o livro de poemas “Viagem” recebeu o Prêmio de Poesia, da Academia Brasileira de Letras. Em 1940 casou-se com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Grilo.

Nesse mesmo ano, Cecília lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas. Proferiu conferência sobre Literatura Brasileira em Lisboa e Coimbra. Publicou em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.

Em 1942 tornou-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realizou várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura, Educação e Folclore.

Características da obra de Cecília Meireles

A rigor, Cecília Meireles nunca esteve filiada a nenhum movimento literário. Sua poesia, de modo geral, filia-se às tradições da lírica luso-brasileira. Apesar disso, suas publicações iniciais evidenciam certa inclinação pelo Simbolismo, reúnem religiosidade, desespero e individualismo. Há misticismo no campo da solidão, mas existe a consciência de seus dons e seu destino:

                               "Eu canto porque o instante existe
                               e a minha vida está completa.
                               -Não sou alegre nem sou triste:
                               sou poeta."

O uso frequente de elementos como o vento, a água, o mar, o ar, o tempo, o espaço, a solidão e a música confirmam a inclinação neossimbolista:

                                Das Palavras Aéreas

                               Ai, palavras, ai, palavras,
                               que estranha potência, a vossa!
                               Ai, palavras, ai, palavras,
                               sois de vento, ides no vento,
                               no vento que não retorna,
                               e, em tão rápida existência,
                               tudo se forma e transforma! (...)

Somente com o livro Viagem (1939) é que Cecília Meireles ingressou no espírito poético da escola modernista. A poetisa foi cuidadosa com a seleção vocabular e teve forte inclinação para a musicalidade (traço associado ao Simbolismo), para o verso curto e para os paralelismos, a exemplo dos versos das poesia medieval portuguesa:

                               Música

                               Noite perdida
                               Não te lamento:
                               embarco a vida

                               No pensamento,
                               busco a alvorada
                               do sonho isento,

                               Puro e sem nada,
                               - rosa encarnada,
                               intacta, ao vento.
                               Noite perdida,
                               noite encontrada,
                               morta, vivida (...)

Poesia Reflexiva

Cecília Meireles cultivou uma poesia reflexiva, de fundo filosófico, que abordou temas como a transitoriedade da vida, o tempo, o amor, o infinito e a natureza. Cecília foi uma escritora intuitiva, que sempre procurou questionar e compreender o mundo a partir das próprias experiências. Uma série de cinco poemas, todos intitulados Motivo da Rosa, da obra “Mar Absoluto”, abordam o tema da efemeridade do tempo:

                                1º. Motivo da Rosa

                                Vejo-te em seda e nácar,
                                e tão de orvalho trêmula,
                                que penso ver, efêmera,
                                toda a Beleza em lágrimas
                                por ser bela e ser frágil. (...)

Poesia Histórica

A obra máxima de Cecília Meireles foi o poema épico-lírico Romanceiro da Inconfidência, onde se encontram os maiores valores de sua poética. Trata-se de uma narrativa rimada, escrita em homenagem aos heróis que lutaram e morreram pela          Pátria:                   

                             Romanceiro da Inconfidência

                                Atrás de portas fechadas,
                                à luz de velas acesas,
                                entre sigilo e espionagem
                                acontece a Inconfidência.
                                E diz o vigário ao Poeta:
                                “Escreva-me aquela letra
                                do versinho de Virgílio...”
                                E dá-lhe o papel e a pena.
                                E diz o Poeta ao Vigário,
                                Com dramática prudência:
                                “Tenha meus dedos cortados,
                                antes que tal verso escrevam...”
                                Liberdade, Ainda que Tarde, (...)

Cecília Meireles faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de novembro de 1964. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura. Cecília Meireles foi homenageada pelo Banco Central, em 1989, com sua efígie na cédula de cem cruzados novos.

Frases de Cecília Meireles

  • "Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."
  • "Se em um instante se nasce e um instante se morre, um instante é o bastante para a vida inteira."
  • "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta."
  • "Meu coração tombou na vida, tal qual uma estrela ferida pela flecha de um caçador."
  • "O vento do meu espírito soprou sobre a vida e só ficaste tu que és eterno."

Obras de Cecília Meireles

  • Espectros, poesia (1919)
  • Nunca Mais... e Poema dos Poemas (1923)
  • Baladas Para El-Rei, poesia (1925)
  • Viagem, poesia (1925)
  • Viagem, poesia (1939)
  • Vaga Música, poesia (1942)
  • Mar Absoluto, poesia (1945)
  • Evocação Lírica de Lisboa, prosa (1948)
  • Retrato Natural, poesia (1949)
  • Doze Noturnos de Holanda, poesia (1952)
  • Romanceiro da Inconfidência, poesia (1953)
  • Pequeno Oratório de Santa Clara, poesia (1955)
  • Pístóia, Cemitério Militar Brasileiro, poesia (1955)
  • Canção, poesia (1956)
  • Giroflê, Giroflá, prosa (1956)
  • Romance de Santa Cecília, poesia (1957)
  • A Rosa, poesia (1957)
  • Eternidade em Israel, prosa (1959)
  • Metal Rosicler, poesia (1960)
  • Poemas Escritos Na Índia (1962)
  • Antologia Poética, poesia (1963)
  • Ou Isto Ou Aquilo, poesia (1965)
  • Escolha o Seu Sonho, crônica (1964)

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Abraços,

Rebeca Lucena Dantas

Pedagoga

Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE

Paulo Freire é um grande educador!!!!!!!!!!!!!!!!


Paulo Freire é o Patrono da Educação Brasileira por reconhecimento ao mérito de sua obra e das suas contribuições para a educação e alfabetização no Brasil e no mundo.

Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) foi um educadorescritor filósofo pernambucano. Tendo sua formação inicial em Direito, Freire desistiu da advocacia e atuou durante o início de sua carreira como professor de Língua Portuguesa no Colégio Oswaldo Cruz, instituição em que o professor havia concluído o Ensino Básico. Freire também trabalhou para o Serviço Social da Indústria (SESI) como diretor do setor de educação e cultura, além de ter lecionado Filosofia da Educação na então Universidade de Recife.

Paulo Freire foi agraciado com cerca de 48 títulos, entre doutorados honoris causa e outras honrarias de universidades e organizações brasileiras e do exterior. É considerado o brasileiro com mais títulos de doutorados honoris causa e é o escritor da terceira obra mais citada em trabalhos de ciências humanas do mundo: Pedagogia do oprimido.


Biografia

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, na cidade de Recife, capital de Pernambuco. Filho, junto com seus dois irmãos e uma irmã, de um policial militar e de uma dona de casa, Paulo Freire ficou órfão de pai aos treze anos. Sua educação inicial contou com o ingresso no Colégio Oswaldo Cruz, em Recife, por meio de bolsa concedida pelo diretor. Mais tarde, Freire tornou-se auxiliar de disciplina e, após formação, professor de Língua Portuguesa.

Em 1943, ingressou no curso de Direito da Universidade de Recife e, em 1944, casou-se com sua primeira esposa, a professora Elza Maia Costa de Oliveira, casamento que durou até o falecimento de Elza, em 1986. Em 1947, Freire foi nomeado diretor do Departamento de Educação e Cultura, do Serviço Social da Indústria, iniciando um trabalho com a alfabetização de jovens e adultos carentes e de trabalhadores da indústria.

Em 1959, Paulo Freire passou no processo seletivo para a cátedra de História e Filosofia da Educação, da Escola de Belas Artes da Universidade de Recife, com a tese Educação e atualidade brasileira. Em 1961, o professor tornou-se diretor do Departamento de Extensões Culturais, da Universidade de Recife, o que o possibilitou realizar as primeiras experiências mais amplas com alfabetização de adultos, que culminaram na experiência de Angicos.

Por possibilitar a alfabetização de jovens e adultos em cerca de 40 horas e com baixos custos, o método desenvolvido por Paulo Freire inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que começou a ser encabeçado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) ainda no governo de João Goulart. A experiência de Angicos causou alvoroço na cidade.

Uma greve de trabalhadores de uma obra que se recusaram a trabalhar enquanto não tivessem seus direitos garantidos, como descanso semanal remunerado e uma jornada de trabalho que respeitasse a jornada estabelecida pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), foi o início para a acusação de comunismo contra o projeto de alfabetização freireano. Empresários e fazendeiros, primeiramente do Rio Grande do Norte, não aceitaram a reivindicação dos trabalhadores, antes analfabetos e agora entendedores de seus direitos.

Outra questão entrou em jogo no cenário político: na época, somente poderia votar quem fosse alfabetizado. O Plano Nacional de Alfabetização poderia levar o letramento a até seis milhões de brasileiros, o que significaria seis milhões de novos eleitores fora das classes dominantes. Esses fatores foram decisivos para que, ainda em abril de 1964, o Plano Nacional de Alfabetização fosse cancelado. Esses também foram fatores decisivos para a prisão de Paulo Freire, Marcos Guerra (advogado e um dos coordenadores do projeto em Angicos) e dezenas de outras pessoas, que, como no caso de Freire, também foram exiladas.

Paulo Freire passou 70 dias preso e foi exilado. No exílio, foi primeiramente para o Chile, onde coordenou projetos de alfabetização de adultos, pelo Instituto Chileno da Reforma Agrária, por cinco anos. Em 1969, o professor pernambucano foi convidado a lecionar na Universidade de Harvard. Em 1970, foi consultor e coordenador emérito do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), com sede em Genebra, na Suíça.

Até o seu retorno ao Brasil, em 1980, Freire fez viagens a mais de 30 países pelo CMI, prestando consultoria educacional e implementando projetos de educação voltados para a alfabetização, para a redução da desigualdade social e para a garantia de direitos. Foi nesse período em que o pensador brasileiro implementou importantes projetos educativos em Guiné-Bissau, Moçambique, Zâmbia e Cabo Verde.

Em 1978, a Lei da Anistia permitiu o retorno de exilados políticos. Em 1980, Freire retornou ao Brasil. Após isso, passou a lecionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e na Universidade de Campinas (Unicamp). Em 1986, sua primeira esposa, Elza, com quem teve cinco filhos, morreu. Em 1988, Freire casou-se com sua segunda esposa, Ana Maria Araújo, com quem permaneceu até a sua morte, em 1997.

Entre 1988 e 1991, Freire foi nomeado secretário de educação do município de São Paulo pela então prefeita, Luiza Erundina, na época filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ao sair do cargo antes do término da gestão, Mário Sérgio Cortella, então assessor de Freire e mais tarde seu orientando de doutorado na PUC-SP, ocupou o cargo até o ano de 1992.

No dia 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu, aos 76 anos, após passar por uma angioplastia e apresentar um complexo quadro de saúde devido a problemas no sistema circulatório. Em vida e postumamente, o professor Paulo Freire foi condecorado com 48 títulos honoríficos.

Em todo o mundo, cerca de 350 escolas e instituições, como bibliotecas e universidades, levam o seu nome como forma de homenagem. Em 2005, a deputada Luiza Erundina criou um projeto de lei para reconhecer Paulo Freire como Patrono da Educação Brasileira. O projeto de lei somente sancionado em 2012, por meio da Lei 12.612/12, pela então presidente Dilma Rousseff.

Segundo levantamento feito, em 2016, por Elliot Greeni, pesquisador especialista em estudos sobre desenvolvimento e aprendizagem da London School of Economics, a obra Pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, é o terceiro livro mais citado em trabalhos da área de humanidades no mundo. Até o ano do levantamento, o livro de Freire já havia sido citado 72.359 vezes, estando à frente no ranking de pensadores como Michel Foucault, Pierre Bourdieu e Karl Marx. À frente de Freire estavam apenas Thomas Kuhn e Everett Rogers.

Método Paulo Freire No auge da Guerra Fria, os Estados Unidos lançaram um projeto chamado Aliança para o Progresso, que visava a alavancar o processo de crescimento econômico e acabar com o que o bloco capitalista entendia como “crescente comunismo” que vinha assolando a América Latina. No entendimento de quem liderou o projeto, a erradicação do analfabetismo seria uma maneira de frear a ascensão socialista.O Brasil foi um dos contemplados pelo projeto, e no Nordeste, ainda como fase experimental, a cidade de Angicos, no Rio grande do Norte, foi uma das primeiras grandes experiências de tentativa de erradicação do analfabetismo. A escolha da cidade e a verba destinada ao projeto de Angicos, cerca de 36 dólares por aluno, vieram desse plano norte-americano. Paulo Freire elaborou o projeto, formou uma comissão de coordenadores e treinou professores para aplicar o plano.Em 40 horas, percorridas durante quase um mês, 300 jovens e adultos foram alfabetizados pelo método desenvolvido por Freire. O educador brasileiro criticava o modelo de educação que ele chamava de “educação bancária”. Esse modelo é baseado na visão de que o professor é o centro do processo e detentor do conhecimento das matérias, sendo o responsável por depositar aquilo que sabe em seus alunos.Freire falava da importância de pensar-se em uma educação capaz de reconhecer a cultura do educando e agir com base nela, naquela realidade, pois somente assim ela faria sentido para aquele que vai ser alfabetizado. Nas palavras do filósofo:a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele.”iiNa visão de Freire, a leitura (e, no mesmo sentido, a escrita) somente fará sentido se for acompanhada de uma capacidade de ler o mundo, de perceber o mundo, de reconhecer os papéis desempenhados pelos atores do mundo e de reconhecer-se como peça naquele mundo. Por isso, Freire agia com base nas palavras que faziam parte do cotidiano dos trabalhadores em processo de alfabetização para ensiná-los.Marcos Guerra, advogado e coordenador do projeto em Angicos, conta que “a alfabetização era baseada em 12 a 15 palavras apenas que continham todos os fonemas da língua portuguesa. No debate sobre a palavra trabalho, o que é que vem? Vem as condições de trabalho. Aí evoca discussões sobre trabalho, condição de trabalho [...] remuneração de trabalho, garantias, direitos, deveres”.iii Palavras como tijolo, barro, trabalho, labuta e telha eram as norteadoras do método, que não foca no conteúdo ensinado, mas no processo.Outra característica do método freireano é a tentativa de levar uma conscientização política e de classe para os educandos. Talvez esse seja o fator que mais tenha despertado a ira dos setores conservadores, responsáveis por extinguir o Plano Nacional da Alfabetização e por exilar o professor pernambucano. Os depoimentos descritos, a seguir, atestam essa ideia:Depois do curso, uma greve na cidade parou a construção de uma obra. Acredita-se que eles teriam sido inspirados pelo ensino dos direitos trabalhistas em sala de aula, com a metodologia freiriana. Os trabalhadores disseram ao dono da empresa que sabiam que tinham direitos. Eles pediam carteira assinada, repouso semanal remunerado e férias. E o patrão disse: ‘eu não dou isso não, ninguém dá’, lembra [Marcos] Guerra.Eles passaram a reivindicar direitos, como repouso semanal remunerado e jornada de trabalho, que era intensiva e ultrapassava as horas estabelecidas pela lei. A carteira assinada os entusiasmava, conta a juíza aposentada Valquíria Félix da Silva, 78, que foi uma das professoras do curso na cidade.ivA obra de Paulo Freire e o seu método são profundamente marcados pela insistência de levantar-se um novo tipo de educação, capaz de dar autonomia às classes dominadas por meio do diálogo e de uma educação emancipadora.Para quem se simpatiza com as ideias do filósofo pernambucano, essa tarefa é necessária para a criação de um novo Brasil, mais justo e igualitário. Para quem discorda de sua obra (não pretendemos fazer uma afirmação generalizadora, pois podem existir críticas pontuais plausíveis acerca do método ou da obra freireana, e lembrando que as críticas não presumem sua anulação), há, em geral, um medo de que ela seja a cartilha para fazer o que setores conservadores têm chamado de “doutrinação marxista nas salas de aula”.Essa acusação, sustentada nos dias atuais por grupos políticos ligados à extrema-direita, era a mesma que condenava Paulo Freire em 1964. O doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e biógrafo de Freire, Sérgio Haddad, conta, em matéria publicada na Folha de São Paulo, acerca do relatório escrito sobre Freire para justificar a sua prisão, dias após o seu exílio.O inquérito, comandado pelo tenente-coronel Hélio Ibiapina Lima, dizia que Paulo Freire era “um dos maiores responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos”, que “sua atuação no campo da alfabetização de adultos nada mais é que uma extraordinária tarefa marxista de politização das mesmas” e que Freire “é um cripto-comunista encapuçado sob a forma de alfabetizador”.v

Obras Entre publicações em vida, publicações póstumas, cartas, entrevistas, ensaios e artigos, somam-se em sua obra quase 40 livros publicados. Os mais importantes, para a compreensão da trajetória intelectual do filósofo e educador, são as seguintes:Pedagogia do oprimido: escrito ainda no início do exílio, quando Freire estava no Chile, o livro propõe uma revisão da relação entre educadores e educandos. O diálogo deve ser a base primeira para a constituição do processo de ensino e aprendizagem. Segundo Freire, “o diálogo é uma exigência existencial”.vi Com base nesse pressuposto, ele reconhece que a educação dialógica é a chave para levar uma educação libertadora às massas, sem excluir a própria massa do processo educativo. Em sua reflexão, Freire questiona-se: “Como posso dialogar, se parto de que a pronúncia do mundo é tarefa de homens seletos e que a presença das massas na história é sinal de sua deterioração que devo evitar?”vii Reconhecendo as massas e os outros e respeitando a diferença dos outros é como o educador deve atuar. Freire defende que a finalidade desse trabalhoso processo é propiciar uma libertação: a emancipação das massas de oprimidos por meio da educação.Educação como prática da liberdade: escrito no exílio após o término de Pedagogia do oprimido, esse livro é uma autocrítica de sua atuação e uma proposta de educação que visa a acabar com a exclusão. Ele aponta a relação intrínseca entre educação, conscientização e inclusão.Cartas à Guiné-Bissau: livro escrito entre 1976 e 1977, período em que Freire atuou no projeto de alfabetização popular promovido em Guiné-Bissau após a sua independência. O conjunto de cartas que compõem a obra tem um objetivo mais reflexivo de apontar a potência, a paixão e a criação daquele povo recém-independente e a aproximação da realidade social africana com a brasileira da época.Pedagogia da autonomia: Freire tem um objetivo muito claro nesse livro de apresentar um conjunto de conhecimentos e práticas indispensáveis a qualquer educador. Como o próprio autor anuncia no escrito, não importa se se trata de um professor ou professora progressista ou reacionário, deve-se saber daquele conjunto básico. O livro carrega em seu primeiro capítulo o título que resume grande parte da defesa de Freire no reconhecimento da alteridade e do respeito à individualidade do educando: “Não há docência sem discência”. Um desses elementos básicos é o reconhecimento da importante relação entre teoria e prática que deve ser primordial e indissolúvel. Segundo Freire, “a reflexão crítica sobre a prática torna-se uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá, e a prática, ativismo”.viiiInstituto Paulo Freire: O Instituto Paulo Freire surgiu com base na ideia do professor brasileiro de reunir instituições e implementar ações voltadas para a educação como pilar da inclusão social e da redução da desigualdade econômica.Surgido em abril de 1991 e fundado oficialmente em setembro de 1992, o IPF atua, desde então, promovendo consultorias e elaboração de projetos voltados para a educação de jovens e adultos; implementação de currículo e projetos políticos pedagógicos; e cursos de formação para alfabetizadores e professores em geral. Citações de Paulo Freire “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele.”“Não existe docência sem discência.”“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo.”“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.”“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.”

Pensadores da Educação - Anísio Teixeira


Anísio Spínola Teixeira, considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século XX, Anísio Teixeira foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. Como teórico da educação, Anísio não se preocupava em defender apenas suas ideias. Muitas delas eram inspiradas na filosofia de John Dewey, de quem foi aluno ao fazer um curso de pós-graduação nos Estados Unidos. Por este motivo foi um dos difusores das ideias de Dewey no Brasil.

Em 1932, Anísio assinou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova que divulgava, ao povo e ao governo, as principais diretrizes de um programa de reconstrução educacional, proposto por um grupo de educadores, alguns dos quais já haviam comandado reformas no ensino público do País, como, por exemplo, Lourenço Filho (Ceará/1922-1923) e Fernando de Azevedo (Distrito Federal/1927-1930).

Anísio Teixeira foi um educador e escritor brasileiro.

É conhecido por ser o criador da escola pública no país e figura responsável pela democratização do ensino brasileiro.

Considerado um dos maiores articuladores e pensadores da educação brasileira do século XX, Anísio almejou a construção de uma educação pública, democrática, gratuita e acessível para todos os cidadãos.

Segundo ele:

Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.”

Anísio Spínola Teixeira nasceu dia 12 de julho de 1900 em Caetité, interior da Bahia. Estudou em colégios jesuítas em sua cidade natal e em Salvador.

Em 1922 ingressou na faculdade de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mais tarde foi estudar em Nova York, onde fez um mestrado na Universidade da Columbia.

Na Bahia, Anísio trabalhou nas escolas como Inspetor Geral do Ensino e Diretor de Instrução Pública. Já no Rio de Janeiro fez parte da Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal.

Nesse momento, Anísio começa a trabalhar para uma reforma educacional no país. Foi criador da Universidade do Distrito Federal (UDF), no Rio de Janeiro.

Além disso, ao lado de mais 25 intelectuais, participou da produção do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932).

Esse documento foi pioneiro ao apresentar um conjunto de ideias sobre a implementação de uma renovação educacional.

Em 1935 afastou-se do cargo público e começou a viver da tradução de livros. Isso porque sentiu muita pressão política enquanto esteve atuando como educador e articulador de uma nova reforma educacional.

A verdade é que esses fatores não impediram que Anísio seguisse com suas ideias na área educacional.

Assim, em 1946 tornou-se Conselheiro de Ensino Superior da UNESCO. No ano seguinte foi secretário da Secretaria de Educação e Saúde da Bahia.

Foi durante sua atuação nessa secretaria que Anísio ficou reconhecido mundialmente. Isso porque ele foi o responsável pela implantação de um centro de educação e cultura em 1950 em Salvador. Esse centro é chamado de “Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro” ou “Escola Parque”.

Nesse projeto inovador inspirado na educação estadunidense, Anísio conseguiu projetar um centro educativo integrado. Ali, ele uniu a educação formal com atividades extracurriculares informais, como por exemplo, as atividades artísticas.

Em 1951 entrou para a Secretaria Geral da Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Mais tarde esse orgão se transformou na Capes: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. A Capes está vinculada ao Ministério da Educação e tem como objetivo consolidar as atuações de nível superior no país.  

Por conseguinte, foi diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) e criador do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE).

Durante seu trabalho nesses órgãos, Anísio focou nos estudos sobre a realidade do Brasil e na implantação da escola pública.

Nesse período, difundiu suas ideias e propostas ao realizar diversas palestras no Brasil e no exterior.

Foi também diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e colaborador da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) em 1961.

Foi professor universitário da disciplina de Administração Escolar na UFRJ e em 1963, ao lado de Darcy Ribeiro (1922-1997), foi reitor da Universidade de Brasília (UNB).

Com o golpe militar de 64, Anísio começou a ser perseguido por suas ideias liberais. Sendo assim, foi para os Estados Unidos e quando retornou ao Brasil continuou com sua atuação na área da educação.

Anísio faleceu em 11 de março de 1971, na cidade do Rio de Janeiro. O educador foi encontrado morto no fosso do elevador.

Sua morte foi considerada um acidente, embora alguns acreditem que ele tenha sido assassinado.

Obras

Anísio reúne uma gama de obras que versam sobre o tema da educação, das quais merecem destaque:

  • Aspectos americanos de educação (1928)
  • Em marcha para a democracia: à margem dos Estados Unidos (1934)
  • Educação para a democracia (1936)
  • A educação e a crise brasileira (1956)
  • Educação não é privilégio (1957)
  • Educação e Universidade (1962)
  • Educação é um direito (1968)
  • Educação no Brasil (1969)
  • Educação e o mundo moderno (1969)
  • Pequena introdução à filosofia da educação (1971)

  • A Fundação Anísio Teixeira (FAT) é uma entidade de caráter cultural e educacional localizada em Salvador, Bahia.
  • Ela foi criada em 21 de setembro de 1989 e além de oferecer atividades educativas e culturais, tem o objetivo de preservar a memória do educador.

    Além disso, ela atua no apoio as pesquisas relacionadas com Anísio e a educação no Brasil.

  • A Casa Anísio Teixeira está situada na cidade de Caetité, local onde nasceu o educador. O espaço é administrado pela Fundação Anísio Teixeira.

    Trata-se de um centro cultural fundado em 1998 que abriga alguns equipamentos culturais como biblioteca, museu e cinema.

  • No local são promovidas atividades culturais e educativas como eventos, oficinas, encontros, etc.

  • Frases de Anísio Teixeira

    • Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.”
    • Sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância.”
    • Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras.”
    • Revolta-me saber que dos cinco milhões que estão na escola, apenas 450.000 conseguem chegar a 4ª. série, todos os demais ficando frustrados mentalmente e incapacitados para se integrarem em uma civilização industrial e alcançarem um padrão de vida de simples decência humana.”



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Vida e Obra Eva Furnari

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