Johann Heinrich Pestalozzi: O amor é o eterno fundamento da educação



Oi galera que lê o meu blog, tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo. Amor é o único e duradouro fundamento sobre o qual pode a nossa natureza ser educada para a humanidade. Johann H. Pestalozzi foi um grande educador e pioneiro no processo de reforma da educação. Nascido em 12 de janeiro de 1746, em Zurique, na Suíça, teve uma infância muito difícil, pois seu pai havia falecido muito cedo e foi criado somente pela mãe. De família pobre, o garoto passou por muitas dificuldades para sobreviver, encarando o desafio de viver numa sociedade fortemente marcada pela distinção de classes sociais. Petalozzi recebeu educação de cunho protestante, mas não defendia nenhuma religião, considerando-se apenas um cristão. Após ter contato com a obra de Jean Jacques Rousseau, passou a ser fortemente influenciado pelo movimento naturalista e começou a criticar a situação política de seu país. Seus esforços levaram-no à Universidade de Zurique, onde se associou a um grupo de ordem reformista, juntamente com o poeta Lavater, passado, desde então, boa parte de sua juventude engajado em causas políticas. No ano de 1771, após a morte do político Bluntschli, um de seus grandes amigos, resolve abandonar a política e se dedicar inteiramente à educação. Casou-se com 23 anos e, comprando uma fazenda, tentou o cultivo, mas como não tivesse vocação para a vida agrícola, logo fracassou. À época, já havia transformado a fazenda numa escola. Escreveu “ Os Crepúsculos de um Eremita ” (1780) e, no ano seguinte, publicou o romance que seria uma de suas obras de maior destaque: “Leonardo e Gertrudes” (1781). Com essa obra, o professor tornara-se famoso. A Invasão francesa (1798): Os horrores da guerra trouxeram uma nova perspectiva para os trabalhos de Pestalozzi. Por conta da invasão francesa em seu país, muitas crianças ficaram órfãs e passaram a vagar pelas ruas, sem ter abrigo e nem o que comer. Ele abrigava essas crianças num convento abandonado e as educava, cuidando pessoalmente, de cada uma delas. Porém, em 1799, o espaço foi requisitado pelos invasores franceses a fim de instalarem um hospital. Arrasado com o fracasso de sua empreitada, lança, em 1801, o livro “Como Gertrudes ensina suas crianças”. Ali, o pensador expõe seu método pedagógico, partindo da ideia de que a aprendizagem ocorre do mais simples para o mais complexo. Surgia aí o Método Pestalozzi. Método Pestalozzi: O método Pestalozzi consiste na ideia de que a aprendizagem parte de mecanismos mais fáceis e simples, para os mais difíceis e complexos, do que já é conhecido para o que é novo e do concreto para o abstrato. Para ele, a aprendizagem ocorre “de dentro para fora”, ou seja, a criança observa determinado objeto e, através dos órgãos dos sentidos, elabora conteúdos, construindo hipóteses e produzindo conhecimento. Seu método é também chamado de intuitivo, pois parte da premissa de que a intuição é o elemento ativo da mente sobre a produção de conhecimento. Além disso, as ideias inovadoras do pedagogo partiam do pressuposto de que a criança deveria “aprender fazendo” e de que o processo educacional deve englobar e abranger as dimensões intelectual, física e moral do ser humano. Para ele, o método de estudos resumia-se a elementos simples, sendo eles o som, a forma e o número. A linguagem, posteriormente. Nas escolas de Pestalozzi, a produção de conteúdo e o desenvolvimento de valores e habilidades por parte da criança era o mais importante. Não havia castigos e recompensas, muito menos notas e provas. Segundo ele, a escola não é apenas uma extensão do lar e sim inspirada nele, devendo passar afeto e segurança para as crianças. Além disso, dizia que o amor era a essência da educação, sendo ele, o único capaz de levar o indivíduo à plena realização moral. Pestalozzi acreditava que o um dos maiores cuidados do professor deveria ser no tocante ao respeito da fase de desenvolvimento em que a criança se encontra. Pestalozzi buscou se engajar nas causas sociais de seu tempo. Em 1802, como Deputado Federal em Paris, envidou esforços para que Napoleão criasse um sistema nacional de educação primária. Contudo, o imperador respondeu-lhe que não poderia perder tempo com “analfabetos”. Em 1805, mudou-se para uma região próxima ao Lago Neuchâtel, dedicando-se à educação durante 20 anos ininterruptos. Recebia constantes visitas de pessoas que tinham interesse pela educação, tais como Mme. de Staël e Talleyrand, sendo elogiado por figuras, como Humboldt. No ano de 1815 começaram a surgir dissensões entre os professores que ensinavam em sua escola. Por isso, seus últimos dez anos de trabalho foram bastante cansativos e tristes. Em 1825, se aposentou e escreveu o livro “O canto do cisne”, seu último trabalho, registrando aí suas memórias. Pestalozzi faleceu em 17 de fevereiro de 1827, aos 81 anos, em Brugg, na Suíça, tendo deixado vários discípulos, dentre os mais conhecidos, está Denizard Rivail, ou simplesmente, ninguém menos que Allan Kardec. O pedagogo foi um dos grandes pioneiros da educação moderna e influenciou todas as correntes da educação.

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Abraços,

Rebeca Lucena Dantas

Pedagoga

Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE

Jean Jacques Rousseau: pai da educação moderna




Oi galera que lê o meu blog, tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo.Em 28 de junho de 1712, na cidade de Genebra, nascia Jean-Jacques Rousseau, segundo filho de Isaac Rousseau e Suzanne Bernard (que faleceu no parto), um casal protestante. Jean-Jacques Rousseau recebeu uma primorosa educação do pai. A biblioteca herdada da mãe foi suficiente para que o pai lesse junto ao seu filho até que o menino completasse sete anos de idade.Ao acabarem os livros deixados por Suzanne, Isaac e Jean-Jacques passaram a ler os da biblioteca deixada pelo avô materno do menino, um teólogo e pastor de Genebra. Foi nesse momento que o futuro filósofo teve contato com grandes clássicos da literatura, da política, da história e da filosofia universal.Além da fragilidade de saúde apresentada pelo menino Rousseau, seu futuro com o seu pai não seria dos melhores. Isaac Rousseau, um dia, envolveu-se em uma briga na cidade com um oficial, foi preso e requiriu a prisão do oficial até que a questão fosse resolvida. Não conseguindo provar a sua inocência, o pai de Jean-Jacques exilou-se de Genebra e não se encontrou mais com o filho, que ficou aos cuidados de seu tio materno, Bernard.O tio de Rousseau enviou-o a Bossey, na França, para continuar os estudos com o pastor Lambercier. Em Bossey, ele passou a apreciar o contato com a natureza, algo aparentemente simples, mas que influenciaria o seu pensamento por toda a sua vida.Em 1724, Rousseau retorna a Genebra para viver com um tio. Em seu retorno, o filósofo passa a estudar desenho com o seu primo. Nos anos seguintes, ele começa a aprender uma série de ofícios sem demonstrar nenhuma aptidão ou compromisso com nenhum deles. Foi aprendiz de mensageiro e, posteriormente, aprendiz de gravador (ofício daqueles que gravavam mensagens e imagens em metais, como moedas e medalhas).Durante esse período, Rousseau encontrava refúgio na leitura e nos seus passeios ao ar livre, em meio à natureza. O jovem pensador esquecia-se de retornar no horário certo, e os atrasos renderam-lhe punições por parte de seu mestre, que o empregava como gravador. Aconteceu que, em uma terceira vez, Rousseau atrasou-se para voltar à cidade, encontrando-a com os portões fechados, e assim decidiu que partiria, logo de manhã, para viver sua vida longe dali. A sua partida deu-se no dia 16 de março de 1728.O jovem pensador partiu em busca de traçar o seu próprio caminho. No entanto, o que encontrou foi a fome e a necessidade. Isso fez com que ele procurasse o padre Confignon, um cura responsável por “salvar” os genebrinos protestantes por meio dos ensinamentos católicos. O padre conduziu Rousseau à província de Annecy, para ficar sob os cuidados da Senhora de Warens. Ela o enviou a Turim, na Itália, para um abrigo de aprendizes do catolicismo. Rousseau viveu, por um tempo, no abrigo, a fim de garantir a sua subsistência.Em Turim, ele trabalhou para nobres como gravador e secretário. Além disso, estudou latim. Também estudou música e passou a ensinar os filhos da burguesia e da nobreza essa arte, tendo ainda composto várias peças musicais, que não eram reconhecidas pelas academias musicais e pelos críticos. Nesse período ele trabalhou como preceptor e como instrutor musical, ganhando bases para a escrita de um futuro livro, que seria Emílio, ou Da educação.Em 1745, Rousseau começa um longo relacionamento com Thérèse Levasseur, mulher com quem teve cinco filhos, os quais entregou à adoção por não ter condições de criá-los. Em seu livro Confissões, uma autobiografia publicada postumamente, o filósofo fala do arrependimento que o acompanhou até o fim de sua vida por não os ter criado.Em 1749, Rousseau interessa-se em um anúncio da Academia de Dijón sobre um concurso de redação cujo tema era: “Se o progresso das ciências e das artes contribui para corromper ou apurar os costumes”. Ele redige um texto que venceu o concurso no ano seguinte e tornou-se a primeira publicação do filósofo. Além disso, o pensador começou a ganhar a fama almejada desde sua juventude.A partir da década de 1750, sua vida mudou completamente, e Rousseau passou a escrever sobre temas como moral, religião, política e economia, o que lhe garantiu o estatuto de filósofo. Ele retornou a Genebra, voltou a cultuar o protestantismo, escreveu sobre música, conheceu um dos fundadores da Enciclopédia, Denis Diderot, que o encomendou verbetes sobre música para a obra, e redigiu os seus principais livros — Emílio, Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens O contrato social.

No entanto, a perseguição da Coroa francesa contra os iluministas, entre eles Diderot e, por conseguinte, Rousseau, que passou a influenciar o movimento, acirrou-se. Aparentemente, uma doença neurológica também passou a afetar o filósofo, que se via sempre perseguido.Em 1762, suas duas principais obras, Emílio O contrato social, foram condenadas, e Rousseau precisou fugir das autoridades francesas, indo para a ilha de Córsega. Em Córsega, sentiu a pressão das autoridades e procurou refugiar-se na Inglaterra, onde viveu junto ao amigo e também filósofo David Hume, porém, com o tempo, desconfiou que o amigo estaria conspirando contra ele.Em 1767, Rousseau retornou à França, casou-se com Thérèse Levasseur e escreveu seus últimos livros durante o acirramento dos processos que levariam à Revolução Francesa. O filósofo faleceu em 2 de julho de 1778. Algumas biografias apontam que ele sofreu de complicações causadas por uma doença neurológica crônica, talvez desencadeada por uma sífilis não tratada.Rousseau foi um dos maiores filósofos da soberania democrática, além de ser um dos precursores da psicologia na área de educação, sendo que sua principal teoria se baseia na questão que todo homem é bom por natureza, mas está submetido à influência corruptora da sociedade. Dessa forma, para Rousseau, esse mal que corrompe o homem, surge da necessidade do homem de criar novas necessidades, aonde assim surge às desigualdades, dentro das organizações privadas, e a escravatura, dentro de uma monarquia. O filósofo menciona ainda, que existem dois tipos de desigualdades, na qual a primeira seria aquela que se deve às características individuais e, outra é de ordem social, sendo essa última, extremamente prejudicial aos indivíduos, pois vai lhe tosando a liberdade e, assim tendo que ser combatida. Entretanto, ele acreditava que poderia existir uma sociedade que pudesse contribuir para a existência dessa liberdade e, seria essa a sua proposta descrita em o “Do Contrato Social” e, que serviu de base para a Revolução Francesa. Partindo do seu princípio, que o homem nasce naturalmente bom, assim, em relação à educação, Rousseau afirmava que o homem ainda não tinha razão desenvolvida até os seus primeiros anos de vida e, que devíamos desenvolver essa educação desde cedo. Dessa forma, em 1762, publicou Emilio ou Da Educação, que na verdade é um romance pedagógico que conta a educação de um órfão, Emilio, de seu nascimento até seu casamento e assim, revolucionou a pedagogia da época e serviu de base para as teorias modernas de educação. Dentro dessa história, Emilio, teve um preceptor, ou professor, que o auxiliava a ter uma educação conforme a sua natureza e com total liberdade e, assim o preservando da sociedade corruptora. Rousseau sugere então, um novo modelo de educação, substituindo o tradicional, que teria seu ciclo completo, em quatro etapas básicas: • O primeiro período, correspondendo ao inicio da vida, e seria dedicada a infância, a fim de fortificar o corpo, valorizando o fato de a criança ser criança e não um adulto pequeno; • Na segunda fase, a criança desenvolve seu caráter com base no contato com a sua realidade e, sem intervenção direta do preceptor; • No terceiro período, se desenvolve as atividades educacionais principais e também, começa aprender uma profissão, nesse período temos a intervenção maior do preceptor; • E o quarto período, seria a formação adulta, florescendo para a vida moral, religiosa e social. Nesse sentido, Rousseau, não estava preocupado apenas com métodos educacionais, mas sim estabelecer meios de criar um homem livre capaz de tomar as suas próprias decisões. Por fim, a principal contribuição do filósofo para a educação é o respeito com o desenvolvimento da criança, se preocupando com todas as fases, visando deixá-las autossuficientes, mas sem perder a sua essência.


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Rebeca Lucena Dantas

Pedagoga

Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE


Comênio - 1º Pedagogo da História


Oi galera que lê o meu blog, tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo. Didática significa a arte de ensinar.Essa frase hoje é repetida mas a maioria das pessoas não sabem nem quem disso isso. Essa frase foi escrita há mais de 400 anos dita por Comênio. João Amós Comênio nasceu em 28 de março de 1592 em Nivnice, na Morávia, região pertencente da antiga Boêmia, hoje República Tcheca. Religioso e cristão é conhecido como pai da Didática Moderna.Suas obras expressam um período de transição da Idade Média para a Modernidade.Nelas retomam os antigos gregos e latinos e os transpõem para seu momento histórico em uma área pouco valorizada na época, a Didática. O período em que ele viveu há uma grande evolução e uma grande transformação social em termos de descobertas científicas.É um momento muito forte da Astronomia, da Ciência da Natureza, onde se descobre o processo de circulação do corpo humano, o momento das grandes viagens no período de descoberta de novos países, de novas terras. O período que de certa forma o homem começa a pensar por si mesmo. De certa maneira independente de Deus e da lei divina e começa a passagem do teocentrismo para o antropocentrismo. O mundo passava por amplas reformas em diversas áreas na filosofia, economia, política e ciências. O trabalho começava a deixar o modo de produção servil para algo próximo ao assalariado.Do artesanato movia-se a manufatura.O mundo transformava-se em grande mundo com muitas descobertas e novos conhecimentos. A palavra Didática significa pela sua etimologia grega a arte de ensinar. A palavra Magna significa grande e enorme.Por que ele queria expressar o tempo em que ele viveu, o tempo era grande e estava se tornando enorme. Então ele escreveu uma Didática Magna, em que abrangesse todo o conhecimento daquele período.O subtítulo da Didática Magna era Tratado da arte universal de ensinar tudo a todos.Porque ele queria que todos aprendessem a ler e a escrever e que todos tivessem acesso a esse novo conhecimento. Sua família fazia parte do grupo religioso Unidade dos Irmãos Boêmios. Essa congregação seguia uma moral austera e tinha a Bíblia como regra de fé. A Unidade dos Irmãos tinha na educação comunitária de crianças, jovens e adultos um de seus mais fortes sustentáculos. Os jovens destinados aos cargos mais elevados da Congregação eram enviados ao estrangeiro para prosseguirem nos estudos. Foi assim que Comênio, em 1611, concluido os estudos secundários, foi enviado a Alemanha.Lá o seu pensamento foi marcado fortemente por Andrea, Campanela, Vives  e  o teólogo calvinista João Henrique Alsted. Retornou a sua Pátria em 1614 e assumiu a função de professor na escola latina de Prerov. Em meio as atividades docentes não descuidava das tarefas religiosas e acontecimentos políticos. No entanto, em meio a tumultuados acontecimentos na Boêmia entre Protestantes e Católicos, Comênio foi para o exílio. A guerra dos trinta fez de Comênio um exilado pelo resto de seus dias. Vivendo no exílio, as contigências da vida de Comênio alargaram-lhe os horizontes pelo encontro com ambientes mais abertos e personalidades ilustres. Comênio ao longo de sua vida produziu muitas obras, dentre elas a "Didática Magna" foi uma importante obra. Esta obra retrata a transição do feudalismo para o capitalismo, traduzindo o embate que se dava no mundo das idéias na passagem de um modo de produção a outro. À perspectiva religiosa, uma das bases de sua didática, juntou as exigências das necessidades das novas forças sociais que estavam surgindo. Os últimos anos da vida de Comênio em Amsterdã transcorreram cheios de atividades diversificadas. Ao lado da preocupação em publicar suas obras, empenhou-se na atividade estritamente Teleológica. Afastou-se gradativamente, dos ambientes científicos e teleológicos a medida que se envolveu com seitas misticas, especialmente o milenarismo.Cansado, e doente, após longa, agitada e fecunda existência faleceu a 15 de novembro de 1670, com a idade de 78 anos, sendo sepultado na Igreja de Naarden, perto de Amsterdã. Comênio, o pai da didática moderna:O filósofo tcheco combateu o sistema medieval, defendeu o ensino de "tudo para todos" e foi o primeiro teórico a respeitar a inteligência e os sentimentos da criança.Quando se fala de uma escola em que as crianças são respeitadas como seres humanos dotados de inteligência, aptidões, sentimentos e limites, logo pensamos em concepções modernas de ensino. Também acreditamos que o direito de todas as pessoas - absolutamente todas - à educação é um princípio que só surgiu há algumas dezenas de anos. De fato, essas idéias se consagraram apenas no século 20, e assim mesmo não em todos os lugares do mundo. Mas elas já eram defendidas em pleno século 17 por Comênio (1592-1670), o pensador tcheco que é considerado o primeiro grande nome da moderna história da educação.A obra mais importante de Comênio, Didactica Magna, marca o início da sistematização da pedagogia e da didática no Ocidente. A obra, à qual o autor se dedicou ao longo de sua vida, tinha grande ambição. "Comênio chama sua didática de ‘magna’ porque ele não queria uma obra restrita, localizada", diz João Luiz Gasparin, professor do Departamento de Teoria e Prática da Educação da Universidade Estadual de Maringá. "Ela tinha de ser grande, como o mundo que estava sendo descoberto naquele momento, com a expansão do comércio e das navegações."No livro, o pensador realiza uma racionalização de todas as ações educativas, indo da teoria didática até as questões do cotidiano da sala de aula. A prática escolar, para ele, deveria imitar os processos da natureza. Nas relações entre professor e aluno, seriam consideradas as possibilidades e os interesses da criança. O professor passaria a ser visto como um profissional, não um missionário, e seria bem remunerado por isso. E a organização do tempo e do currículo levaria em conta os limites do corpo e a necessidade, tanto dos alunos quanto dos professores, de ter outras atividades.Comênio era cristão protestante e pertencia ao grupo religioso Irmãos Boêmios, ao qual se manteve vinculado por toda a vida, tornando-se, em 1648, bispo dos morávios. Embora profundamente religioso, o pensador propôs uma ruptura radical com o modelo de escola até então praticado pela Igreja Católica, aquele voltado apenas para a elite e dedicado primordialmente aos estudos abstratos. Ainda vigoravam as doutrinas escolásticas da Idade Média, pelas quais todas as questões teóricas se subordinavam à teologia cristã. Comênio não foi o único pensador de seu tempo a combater o pedantismo literário e o sadismo pedagógico, mas ousou ser o principal teórico de um modelo de escola que deveria ensinar "tudo a todos", aí incluídos os portadores de deficiência mental e as meninas, na época alijados da educação. "Ele defendia o acesso irrestrito à escrita, à leitura e ao cálculo, para que todos pudessem ler a Bíblia e comerciar", diz Gasparin. Comênio respondia assim a duas urgências de seu tempo: o aparecimento da burguesia mercantil nas cidades européias e o direito, reivindicado pelos protestantes, à livre interpretação dos textos religiosos, proibida pela Igreja Católica.A obra de Comênio corresponde também a outras novidades, entre elas "o despertar de uma nova concepção de criança", como diz Gasparin. "Ele a trata em seus livros com muita delicadeza, num tempo em que a escola existia sob a égide da palmatória", continua o professor. "A educação era vista e praticada como um castigo e não oferecia elementos para que depois as pessoas se situassem de forma mais ampla na sociedade. Comênio reagiu a esse quadro com uma pergunta: por que não se aprende brincando?"Salvação da alma: Sob influência de seitas protestantes e do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), Comênio acreditava que a salvação da alma poderia ser alcançada durante a vida terrena e que o caminho para isso poderia ter a ajuda da ciência. Para ele, a criatura humana correspondia ao ideal de perfeição. Comênio acreditava que, por ser dotado de razão, o homem pode entender a si e a todas as coisas. Portanto, deve se dedicar a aprender e a ensinar. Seguindo esse pensamento, Comênio conclui que o mais importante na vida não é a contemplação e sim a ação, o "fazer".No pensamento humanista do pedagogo tcheco, a instrução e o trabalho diferenciavam o homem burguês do homem feudal. Em sua trajetória, o novo indivíduo deveria imitar a natureza, porque, emulando Deus e respeitando as aptidões de cada um, não haveria possibilidade de erro. De Bacon, Comênio adotou o método empírico de explorar o mundo, em contraposição às verdades impostas pelo ensino medieval. Pela experimentação, ele acreditava que todos poderiam vir a enxergar a harmonia do universo sob o caos aparente. "Comênio queria mudar a escola com a didática e a sociedade com a educação", diz Gasparin. "Era um grande idealista."

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Rebeca Lucena Dantas

Pedagoga

Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE

Gestalt-terapia




Oi galera que lê o meu blog, tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo. A Gestalt-terapia foi criada por Fritz Perls e alguns psicoterapeutas na década de 1950. Fritz, era muito crítico a filosofia freudiana e aos seus métodos, pois considerava voltado ao passado e muito interpretativo. Então, propôs uma terapia centrada no presente (aqui-agora) e na experiência genuína do sujeito envolvendo a sua totalidade (corpo, pensamentos, emoções e sensações) e tudo o que está presente naquele momento, também chamado de “Campo de experiência” único daquela pessoa, com todos os seus valores e significados. “Gestalt” é uma palavra alemã que significa “Configuração”, o que pode ser interpretado como “a forma como cada ser estrutura a percepção de si mesmo e do mundo”.A relação que se estabelece entre o terapeuta e o paciente é fundamental na Gestalt-terapia. Procura-se construir uma relação genuína, através do diálogo de pessoa para pessoa, que no decorrer do tempo, pouco a pouco, o paciente começa a ampliar a sua percepção e atribui seus próprios significados.Dessa forma, qualquer sintoma (depressão, ansiedade, distúrbios psicossomáticos, pânico…) vai sendo interpretado como um “sinal” do corpo, que poderá ser reinterpretado e utilizado na procura de uma auto-regulação mais saudável. Friederich Salomon Perls foi um  psiquiatra e psicoterapeuta alemão nascido em 1893 e falecido em 1970. É o fundador da Gestalt-terapia uma proposta de psicoterapia surgida em 1951 quando Perls publicou em parceria com  Paul Goodman e Ralph Hefferline o conhecido livro Gestalt-terapia. Apesar do nome Gestalt-terapia a abordagem não está apoiada exclusivamente na Psicologia da Gestalt mas também na Fenomenologia, no Existencialismo, no Humanismo, na Teoria de Campo de Kurt Lewin e na Teoria Organísmica de Kurt Goldstein. A Fenomenologia pode ser entendida como o estudo dos fenômenos.E o que é um fenômeno?Na Fenomenologia fenômeno é aquilo que aparece, ou seja, qualquer coisa pode ser um fenômeno: o nascer do sol, o cair da chuva, uma maçã, um gato. Mas a Fenomenologia não está interessada em qualquer fenômeno mas sim nos fenômenos da consciência. Edmund Husserl é considerado o fundador da Fenomenologia mas antes dele Franz Brentano já se dedicava aos estudos Fenomenológicos. Além deles pensadores como Merleau-Ponty e Martin Heidegger e outros trouxeram grandes contribuições ao campo da Fenomenologia. Mas  Husserl é sem dúvida o grande nome dessa escola de pensamento. Afinal a Fenomenologia é ao mesmo tempo uma teoria e um método.Vejamos alguns de seus princípios.Para a Fenomenologia todo ato mental incorpora algo de fora de si.Por exemplo: se eu vejo, vejo algo; se eu gosto, gosto de algo e se tenho consciência, tenho consciência de algo.Note que o ato de ver não existe sozinho, só existe na medida em que algo é visto.Assim como gostar só faz sentido quando está relacionado a algo: uma pessoa, um lugar, uma comida.Quem gosta, gosta de algo.Nossos atos mentais sempre estão relacionados a alguma coisa, ou seja, algo que aparece.Por isso a Fenomenologia entende que ter consciência é ter consciência de algo.A consciência não existe sozinha. Assim chegamos ao conceito de intencionalidade.Nossa consciência tem intencionalidade, ou seja, ela sempre se direciona a algo.Intencionalidade na Fenomenologia significa interesse, direcionamento. Não é intencionalidade no sentido de intenções ou motivações.É intencionalidade no sentido de orientar-se em alguma coisa, para aquilo que aparece. Nossa consciência se interessa pelas coisas. Contudo a Fenomenologia entende que essa consciência que se interessa pelos objetos está contaminada com interpretações, idéias, valores e suposições.Afinal, todos temos experiências passadas que influenciam a nossa forma de ver o presente. Mas a Fenomenologia também considera que nós podemos purificar a nossa relação com os fenômenos que observamos, ou seja, seria possível limpar essa relação evitando que ela seja contaminada com as interpretações que já trazemos na consciência.Por isso o lema da Fenomenologia é voltar as coisas mesmas, ou seja, tentar compreender as coisas tal como elas se mostram no presente sem contaminá-las com interpretações; ver a essência das coisas e toda a sua complexidade no aqui e agora.E quais as implicações disso para o Gestalt-terapeuta?Primeiro, a Fenomenologia nos mostra que cada pessoa é um mundo, quer dizer cada pessoa tem um um olhar só seu para a realidade, logo o papel do terapeuta não é de interpretar o mundo do cliente mas de tentar enxergar o mundo dele tal qual como se mostra. O Gestalt-terapeuta não tentará interpretar os problemas do cliente explorando o seu passado como fazem outras abordagens. Ele tentará entender o presente. O passado só se torna interessante na terapia na medida em que ele reaparece no presente.Então o terapeuta focará no aqui e agora sem interpretar a dificuldade do cliente, sem perguntar porquê.Mas perguntando: O quê?E como?O que é a dificuldade do cliente?Como ela se apresenta para o cliente?Como o cliente a vive?Como o cliente a sente?Nesse processo o Gestalt-terapeuta também ajuda o cliente a tentar compreender sem prejulgamentos e sem suposições.Ajuda o cliente a tomar consciência de si, da sua situação de vida, do aqui e agora.A ver as coisas tal como elas se mostram. A ver a existência das coisas que estão soterradas por inúmeras interpretações. Essa tomada de consciência também é conhecida como awareness. Awareness é o fundamento da Gestalt-terapia, ela se tornou muito conhecida por isso. Esse tipo de awareness requer que o terapeuta seja capaz de estar presente e se liberar de todos os pensamentos, julgamentos e avaliações para que se interesse pela experiência do cliente.Porque o que estamos fazendo é afinar o foco no cliente quando perguntamos: Qual sua experiência agora? O que sente? Do que está consciente?(Essa pergunta é chave). Porque ao fazermos isso ajudamos o cliente a ir além das idéias sobre quem ele é, quem deveria ser, ou quem ele era...e o trazemos para a atualidade do presente, qualquer que seja, feliz, triste, amedrontado. E isso requer muito apoio, porque as pessoas gastam muito tempo evitando estar no presente. Mas essa é a chave da mudança terapêutica na Gestalt-terapia. Trabalhar com awareness nos leva rapidamente à profundidade, então é uma ferramenta que precisa ser exercitada com muito cuidado e muito respeito. O uso da awareness na Gestalt-terapia é um facilitador, por isso perguntamos ao cliente: Do que está consciente agora?Contudo, é importante que eu também trabalhe minha própria awareness, como terapeuta devo me perguntar:Do que estou consciente agora? pois isso também é um ingrediente importante. Existem muitas maneiras diferentes de se trabalhar com awareness.Há o que se chama de contínuo da awareness, a questão que se repete:Do que você está consciente agora? A pergunta simples que se repete pode ajudar a focar a pessoa no presente. E na experiência presente há diferentes elementos, há a experiência somática, a experiência cognitiva e a há a experiência sensorial. Esses diferentes elementos da awareness são abordados na terapia dependendo de onde a pessoa possa estar presa, então trazer outros elementos da awareness ajuda a pessoa a se soltar. Qualquer criança está em total awareness, está naturalmente lá.Na medida em que crescemos, aprendemos a nos adaptar, somos treinados, educados.Nossa awareness tende a diminuir e tende a se tornar mais um processo de pensamento. Tudo isso é útil às vezes, mas na Gestalt-terapia queremos desempacotar um pouco disso. Desempacotar um pouco dos julgamentos e avaliações.Não há nada de errado com eles, também podem ser úteis, mas porque eles tapam o caminho que nos leva a ver a pessoa única que é o cliente. E, especialmente, tapam o caminho para se entender como o cliente experiencia o mundo. Isso é o que chamamos de abordagem fenomenológica.Estamos interessado nessa pessoa única diante de nós e sua awareness única.Humanismo:A Gestalt se encontra dentro de uma das grandes correntes teóricas da psicologia. O humanismo é definido pela volta da psicologia ao homem e às questões realmente humanas (amor, ódio, medo, solidão, saúde, beleza, virtude).O humanismo busca trazer o homem e a sua história para o centro do debate, o homem torna-se senhor do seu tempo e do seu mundo.Aqui, é o homem é capaz de autogerir-se, autogovernar-se, busca sua autorrealização. O homem pode tomar posse do seu destino.O homem é um completo vir-a-ser, nunca é algo estático ou estagnado, antes é um ser em constante transformação e mudança. Conceber o homem como um ser estático é não compreender o homem em sua essência.Existencialismo:A Gestalt-Terapia tem, dentre suas características, recuperar o homem de sua alienação existencial. O existencialismo incide sobre o pensamento gestáltico, trazendo o homem para o centro da sua singularidade. Sua subjetividade é o ponto de equilíbrio, e é na intersubjetividade que se faz humano.Ao longo de suas obras, Perls demonstrou que o objetivo da terapia era fazer com que o cliente se tornasse mais responsável, consciente, capaz de realizar um bom contato, e que, a cada sessão, o cliente se tornasse mais ele-mesmo.A espécie humana é a única capaz de existir. Existência, que pode ser traduzida por: pôr para fora, projetar-se. Essa capacidade é caracteristicamente humana, só o ser humano transcende toda barreira. Enquanto outros seres seguem sua programação biológica, o homem se faz homem, se constrói com base na cultura, na história, e na sua própria individualidade.O homem passa a ter objetivos, sua condição de existência passa a ser o seu potencial, este então passa a dar sentido para si. É o único que vive num constante devir (vir-a-ser). Tudo que este é ainda está por se fazer. O homem é, por si só, uma obra inacabada, tendo seu projeto em suas próprias mãos. Antes de tudo, existência é possibilidade de se projetar, se construir.Durante sua vida, o homem, perpassa por um meio social massacrante, avassalador, que destrói e corrompe suas potencialidades genuínas. O caminho da existência é áspero e cheio de pedras, para muitos a existência perde seu maior significado, perde-se o sentido, a sua realização passa a estar cada vez mais distante. O homem sem sentido de vida é incapaz de viver plenamente. Na existência humana, mergulhar nas trevas é parte da caminhada. No entanto, para sair das trevas, é preciso encontrar o verdadeiro sentido de vida. Diante de sua capacidade de autorrealização, mesmo no deserto, a mais bela flor consegue florescer.
Psicologia da Gestalt: Gestalt é uma palavra alemã. Existem diversas interpretações para o termo: uma diz que pode ser considerada a psicologia da forma; outra a associa ao processo de surgimento de figura-fundo. A palavra adequada para designar a Gestalt seria dizer: Gestaltung, palavra que indica "dar forma", ou seja, um processo, uma formação. A concepção da psicologia da Gestalt, até então antiga, é a teoria sobre como o nosso campo perceptivo segue determinadas tendências sob a forma de conjuntos estruturados. A percepção estruturada se daria seguindo a tendência das linhas e das formas, destacando as figuras de seus fundos. Porém, não se pode reduzir os fenômenos somente ao que é percebido (ao campo perceptivo), pois deve-se levar em conta o todo sendo diferente da soma das partes. Ex: H2O. Sabemos que a fórmula da água é de duas partículas de Hidrogênio e uma de Oxigênio; no entanto não se consegue "fazer água" apenas juntando essas duas moléculas. Assim, "o todo é diferente da soma de suas partes"; influência também herdada das psicologias de Kurt Lewin (teoria de campo) e Kurt Goldstein (teoria organísmica).A principal queixa dos criadores da Gestalt, em relação, às psicoterapias tradicionais, é o fato de elas não compreenderem o ser como um todo. Quando se analisa um comportamento, é preciso considerar o contexto, o que poderíamos chamar de espaço-tempo. Segundo GINGER: "uma parte num todo é algo bem diferente desta mesma parte isolada ou incluída num outro todo [...] num jogo, um grito é diferente de um grito numa rua deserta [...]" (1995, p14).A psicologia da Gestalt possibilitou, a Perls, estudar a hierarquia de necessidades. Ele dizia que uma Gestalt seria o processo de formação de uma necessidade em busca de sua satisfação. Então, todo o organismo seria colocado a favor da Gestalt emergente (a figura que emerge de seu fundo). Um organismo sadio estaria atento ao surgimento de Gestalten e iria rumo à satisfação.Um exemplo utilizado por Perls diz respeito a uma mãe com seu bebê recém-nascido, que, em meio a uma multidão de sons, sono e cansaço (fundo), acorda ao ouvir seu filho chorando (figura).Para alguns teóricos, uma das maiores inovações da Gestalt-Terapia em relação à Psicologia da Gestalt, é o fato de ampliar o conceito de figura-fundo, antes visto apenas como parte do processo perceptivo, mas que passa a fazer parte da motivação, esta associado ao processo de emergência das necessidades do organismo.

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Abraços,

Rebeca Lucena Dantas

Pedagoga

Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE

Carl Rogers




Oi galera que lê o meu blog, tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo. Carl Ransom Rogers nasceu em Oak Park, Illinois em 1902 e faleceu  La Jolla, na Califórnia em 4 de fevereiro de 1987. Formado em História e Psicologia aplicou a educação princípios da Psicologia clínica, área em que atuou por mais de 30 anos. Um desses príncipios é a chamada terapia centrada no cliente utilizando técnicas de reformulação e clarificação dos sentimentos buscando uma atitude de maior aceitação dos sentimentos do cliente por parte do terapeuta. Rogers é considerado um representante da corrente Humanista em educação.Concebe o ser humano como sendo bom e curioso e que precisa de ajuda para poder evoluir.Daí a necessidade de técnicas de intervenção facilitadoras.No Brasil suas idéias se difundiram na década de 70 em confronto direto com as idéias comportamentalistas de Skinner.É nessa década que Rogers dirige sua atenção de maneira prioritária a educação, propondo uma pedagogia experencial centrada no aluno.Acredita que os alunos aprendem melhor, são mais criativos e mais capazes de solucionar problemas quando os professores proporcionam um clima humano e de facilitação.Para o Rogers a liberdade em sala de aula é justamente a possibilidade do aluno descobrir a aprendizagem e poder refletir para o professor o que ele está sentindo para encontrar novos caminhos, ou seja, a aula deixa de ser padronizada e idêntica para todo mundo, há uma entrada do aluno nela, uma participação ativa e real onde há liberdade dele está se expressando na vontade de aprender ou dirigindo a própria aprendizagem, os insights, os grandes momentos de descoberta ele não guarda pra si, ele coloca ali no grupo e o professor tem que estar muito preparado para acompanhar porque senão a ditadura do conteúdo sufoca a liberdade do aprender. O professor para trabalhar nessa abordagem precisa desenvolver uma escuta sensível. Sensível ao aluno no sentido da pergunta do aluno. Ele precisa ter uma certa paciência, um compromisso com essa escuta.A escuta sensível é a escuta sem julgamento.A escuta capaz até se for no caso de uma brincadeira ou de uma falta de atenção colocar o limite, mas primeiro ouvir.Isso é extremamente importante.Essa escuta que vai se fazendo sensível ao ato de aprender e ao significado que essa aprendizagem vai ter na construção dessa pessoa. Para Rogers é uma pessoa em construção e não um aluno construindo apenas comportamentos acadêmicos.Quando alguém exprime um sentimento, atitude ou opnião nossa tendência quase de imediatamente sentir está certo, que besteira ou não é normal. Raramente permitimos a nós mesmos compreender precisamente o que significa para essa pessoa o que ela está dizendo. A questão da pessoa é fundamental nessa abordagem, a pessoa inacabada. Se o crescimento físico para num determinado momento, o desenvolvimento da pessoa não para nunca.A escola recebe uma pessoa inteira, não somente um aluno.A facilitação significa uma situação em sala de aula em que o professor se coloca, porque ele tem uma escuta sensível e acessível ao aluno como indivíduo e ao grupo como um todo e pela empatia ele vai fazendo com que a aprendizagem seja conduzida de uma maneira em que ele funcione não como aquele que ensina, que cobra e que enche o pote do aluno de conteúdo, pra depois ele poder cobrar mas é aquele que vai ensinando e vai conduzindo de uma forma consciente, rigorosa e afetiva o aluno aprender e a entender o significado, criar sentido, buscar sentido para aquilo que é novo para ele fazendo uma corrente onde os aprendizados vão formando o conteúdo completo e interior de cada um para o significado da própria vida.Quando tento ouvir-me e estar atento ao que experimento no meu íntimo, quanto mais procuro ampliar essa atitude de escutara os outros, mas respeito sinto pelos complexos aspectos da vida. Sinto-me mais feliz simplismente por ser eu mesmo e deixar os outros serem eles mesmos. Mas paradoxalmente à medida que cada um tenta ser ele mesmo descobre que não apenas muda mas que às pessoas com quem ele tem relações mudam igualmente.Aceitar não é concordar. Ela vem antes de tudo, aceitar que às pessoas são diferentes, aceitar que às pessoas tem momentos que não estão idênticos aos nossos. O professor está dando aula, tenha certeza que ele fez o máximo mas o comportamento de alguns alunos fere, porque os alunos não estão reconhecendo isso.Como é que é essa história na cabeça dele?Só que há momento que precisa compreender e aceitar que as pessoas estão com os seus outros conteúdos ali, dialogar aceitando o outro, olhando para o outro é diferente de concordar. O concordar pode ser um lavar as mãos.Vocês não querem aprender?Então danem-se.Na abordagem seria isso.Eu até posso dizer para o aluno eu entendo o que você está passando mas não concordo com a forma que você está manifestando.Em príncipio ele se sente aceito.Isso deve ser muito difícil, é um momento difícil pra você mas esse seu jeito de manifestar não posso concordar.Você não pode agredir o outro.Eu concordo que a profissão fique cada vez mais interessante e cheia de vida porque em príncipio está se professando a fé no ato de aprender do outro. O grande problema é que o professor precisa se preparar para outro paradigma não o de que o conteúdo é tudo. Algumas pessoas aprendem ouvindo outras pessoas precisam conversar para aprender, precisam entender e discutir.Outros rabiscam, enfim são inúmeras formas de aprender.A dificuldade do professor é muitas vezes querer passar o conteúdo de um jeito só.Esse conteúdo não é para ser absorvido tal como foi passado e sim para ter um sentido.Na medida em que o professor perde o medo de errar ele perde o medo de não saber o que o aluno perguntou.Ele é real e verdadeiro naquele momento.Ele garante o respeito.Essa questão que permeia essa construção do humano.O professor também estar numa situação de aprendizagem.O ensinar é uma consequência de colocar-se em aprendizagem.Quem parou de aprender também parou de saber ensinar.O menino com uma dificuldade muito grande afetiva, uma criança muito complicada, com muita dificuldade de conviver e de aprender.Isso mostra que essas coisas andam juntas: conviver e aprender. Aos poucos fomos trabalhando com ele e com a mãe. Ele era um menino submetido a castigo muito grande, por exemplo, ajoelhar no milho. Um menino que não trabalhava muito bem as emoções, não chorava e não ria, sempre muito fechado.Num trabalho dele junto com a mãe, conversando junto, ela disse que iria começar a fazer o que nós fazíamos na escola, disse que ia dialogar e colocar limite e não ia mais bater e se comprometeu. Ele teve uma atitude pela primeira vez de uma emoção forte, de entender o que estava se passando com ele, de expressar isso e com isso essa barreira foi caindo, foi se aproximando e fazendo parte cada vez mais daquele grupo, daquela vida, das coisas que aconteciam ali na escola, da pré-escola.E depois ele foi para o primeiro grau e um dia ele apareceu com a professora.A experiência é para mim a suprema autoridade nenhuma idéia de qualquer outra pessoa, nenhuma das minhas próprias idéias tem a autoridade que se reveste a minha experiência. Sinto que o único aprendizado que me influencia significativamente o comportamento é o aprendizado auto descoberto, autoapropriado. O poder pessoal é esse poder que é só seu, por isso é pessoal, é você se colocar no mundo, eu estou aqui, eu preciso disso, eu quero isso. Não é poder ditatorial, não é poder hierárquico, não é poder atribuído pelo outro, dado, ele é conquistado, ele é um direito.Ele é bom, um poder do bem. O professor ser congruente faz parte da sua característica de facilitador. Eu não posso ser uma facilitadora se eu não me conheço, se a minha atitude não é congruente com que eu sinto e estou vivendo. Aprendi com as minhas relações com as pessoas que não ajuda a longo prazo agir como se eu fosse alguma coisa que não sou. A aprendizagem pode ser facilitada se o professor for congruente se ele for a pessoa que verdadeiramente é e se tiver consciência plena de suas atitudes. Inicialmente o Rogers como terapeuta ele começo a discutir a partir do indivíduo. Então se falava que era uma abordagem que não dava conta do grupo. Depois o Rogers começou a ser o precursor dos trabalhos em grupo, a importância dos trabalhos em grupo. O limite não é impedir mas é aquele momento em que há a parada necessária. O limite protege, com as crianças da pré-escola eu percebi uma ausência de limites. Uma falsa idéia de poder que os pais acabam dando e os professores também. Pode tudo e não pode nada. O limite é o não necessário. Por aprendizagem significativa entendo aquela que é mais uma acumulação de fatos é uma aprendizagem que provoca uma modificação quer seja no comportamento do indivíduo, na orientação futura que escolhe ou nas atitudes e personalidades. Verifica-se mais facilmente uma aprendizagem significativa quando as situações são percebidas como problemáticas. Uma preocupação que existe em relação a essa abordagem é dela ficar muito mais no lado emocional do comportamental e deixar de lado os conteúdos importantes para que os alunos tenham acesso às carreiras. Mas isso não é verdade. É a condução de um processo de uma forma diferente que não diminui a importância do conteúdo, apenas não deixa que ele dite as normas.Se ele não tem significado ele é esquecido. Às vezes os alunos dizem assim: "Você perguntou alguma coisa do bimestre passado?"e daí eu errei.Ora mais um bimestre já errou, ele quer saber se não vai cair a matéria do outro bimestre que ele já devolveu que é a famosa educação bancária do Paulo Freire.Já recebeu e já devolveu e ficou vazio de novo com vagas lembranças.Isso não é uma educação de qualidade.Uma educação de qualidade é levar a pessoa também a buscar na sua liberdade de aprender mais elementos para construir aquilo que está sendo discutido e o que está em pauta.O  indivíduo hoje nunca se falou tanto que a sociedade muda rapidamente não tem mais um lugar, um futuro para ele pré-determinado, é esse conteúdo que põe o aluno lá.Na escola lidamos com anorexia, drogas e violência.A escola é uma surpresa também para os próprios educadores.É preciso encontrar caminhos.Como posso ter certeza que o mercado rceberá uma determinada pessoa se ela tem determinado conteúdo, por exemplo se a pessoa tiver tolerância, capacidade de lidar com frustação, interesse em aprender, descobrir caminhos de aprendizagem, buscar informações, relacionar-se, lidar com suas emoções e lidar com o grupo, ela vai ter mais sucesso, do que se ela só souber o conteúdo.Para a maioria dos educadores, o conhecimento existe para ser utilizado.Como diria Carl Rogers " Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele."

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Rebeca Lucena Dantas

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Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE

As primeiras relações materno-infantis


Oi galera que lê o meu blog, tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo. Donald Woods Winnicott nasceu em 1896 numa família rica de comerciantes em Plymouth, na Inglaterra. Ao entrar na faculdade de Medicina, foi convocado para servir como enfermeiro na Primeira Guerra Mundial, na qual fez as primeiras observações sobre o comportamento humano em situações traumáticas. Especializou-se em pediatria, trabalhando 40 anos no Hospital Infantil Paddington. Paralelamente, preparou-se para ser psicanalista. Trabalhou como consultor psiquiátrico do governo, tratando de crianças afastadas dos pais na Segunda Guerra Mundial. Em 1949, separou-se da primeira mulher, a artista plástica Alice Taylor. Dois anos depois, casou-se com Clare Britton, psicanalista e organizadora dos trabalhos do marido. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise e morreu em Londres, em 1971. As primeiras relações materno-infantis, vão se constituir desde o nascimento do bebê até os primeiros anos de vida. É uma relação na qual o par mãe-bebê se comunicará pela relação recíproca que foi desenvolvida desde a concepção, passando pelo desenvolvimento do bebê em útero, até o instante do nascimento. A partir daí, uma relação de confiança e mutualidade vai se estabelecendo, caso tudo corra bem. O bebê reconhecerá a voz da mãe e o calor do seu corpo, assim como já vivenciava tudo o que se passava na interioridade do corpo materno. A mãe, por sua vez, desenvolverá uma relação simbiótica com seu bebê e estabelecerá, com ele, uma comunicação pautada em experiências não verbais, oferecendo-se como o primeiro ambiente do qual o bebê precisa para se desenvolver emocionalmente. É essa relação que constituirá o psiquismo do bebê, seu mundo interno, seu interior e seu self.Os conceitos de verdadeiro e falso self (em inglês, palavra que se refere à própria pessoa) são um bom exemplo. "O self se forma com base nas experiências que o bebê acumula", diz o psicanalista Davy Bogomoletz, de São Paulo. "É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único." A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. "Se a mãe aceitar as manifestações do bebê - como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro", explica Bogomoletz. Porém o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade.Para compreendermos as origens do indivíduo, Winnicott ressalta que devemos primeiro investigar quando os bebês foram concebidos mentalmente para que depois possamos investigar quando eles foram concebidos biológica ou fisicamente. Ou seja, antes que um bebê exista, é necessário que ele tenha sido desejado ou, no mínimo, criado na fantasia interna de um dos pais. Em seguida, é necessário que passemos a verificar como e quando esse bebê foi concebido como um "ato físico" entre o casal, mesmo que ele seja fruto de um "pequeno acidente" entre os pais. O momento seguinte é a provisão do ambiente corporal materno e o desenvolvimento do próprio feto no tocante à qualidade e vitalidade dos órgãos, com ênfase na saúde do cérebro como órgão capaz de registrar experiências e acumular dados saudáveis da provisão ambiental para, a partir daí, encontrarmos os sinais de vida e a viabilidade de o bebê nascer no tempo e na hora certa: nem prematuro, nem pós-maduro. Com o desenvolvimento do cérebro enquanto órgão em funcionamento, inicia-se "a estocagem de experiências; as memórias corporais, que são pessoais, começam a juntar-se para formar um novo ser humano. Existem boas evidências de que os movimentos do corpo na vida intrauterina são significativos, e é plausível que, de modo silencioso, a quietude vivenciada naquele período também o seja". Por fim, advém o nascimento, que é o momento em que a mãe e o bebê vão viver juntos sua primeira experiência a dois como uma só unidade.Do ponto de vista do bebê, a mudança do estado intrauterino para o estado de recém-nascido só pode ser provocada pelo processo maturacional e biológico, os quais preparam o bebê para que as mudanças sejam efetuadas na sua vida. Esse processo só poderá ser afetado caso haja algum adiamento ou antecipação do nascimento. Se o nascimento for experienciado como traumático, o bebê e, consequentemente, a mãe terão problemas tanto no curso do desenvolvimento quanto na relação materno-infantil, ameaçando a "continuidade da existência" de ambos. É importante apontar para a dimensão biológica e vitalista dos argumentos do autor: o relacionamento mãe-bebê só será satisfatório, após o nascimento, caso a mãe tenha condições favoráveis durante a gestação e uma capacidade biológica inata para gerar e sustentar um bebê vivo e íntegro, correspondendo assim à sua capacidade psicológica de lidar com esse bebê após o nascimento.Por outro lado, muitas das características do bebê também já são conhecidas pela mãe a partir dos movimentos desenvolvidos em seu ventre. Ou seja, no momento do nascimento já houve uma grande soma de experiências, tanto agradáveis quanto desagradáveis, partilhadas por ambos. Até lá o futuro bebê compartilhou o gosto das refeições da mãe, seu sangue já fluiu com maior rapidez quando comeu ou bebeu um café, um chocolate quente ou um chá ou até mesmo quando a mãe teve de acelerar os passos para executar alguma tarefa ou manter uma relação sexual. Sentimentos e sensações tais como ansiedade, tristeza, agitação, raiva, entre outras, também serão passadas para o bebê pelos laços que os unem. Se a mãe é bastante agitada, ele provavelmente se acostumará com os seus movimentos tanto no útero como fora dele e tem boas chances de ser um bebê agitado. Se a mãe é mais tranquila, o futuro bebê conhecerá a paz e poderá esperar por um colo tranquilo e aconchegante. Até esse momento, é bem possível que o bebê conheça melhor a mãe do que ela a ele e, por consequência, até a mãe poder vê-lo, colocá-lo nos braços e acolhê-lo em seu peito, muita troca de experiências já ocorreu entre a dupla.O primeiro contato após o nascimento é de extrema importância para a mãe e para o bebê. Para o que hoje profissionais da saúde, tais como obstetras, pediatras, enfermeiros ou até mesmo parteiras já admitem como prática, Winnicott não se cansou de chamar a atenção: por um lado, o quão valioso é para a mãe ver e sentir o seu bebê contra o seu corpo imediatamente após o nascimento, e por outro, o quão necessário é para o bebê entrar em contato com o corpo materno, visto que a sensibilidade da sua pele está muito aguçada. O bebê, assim, nasce totalmente não integrado, ou seja, sem nenhuma experiência de contato com a realidade do mundo externo. Dito de outro modo, ele nasce sem o sentido da sua própria corporeidade, sem as dimensões de tempo e espaço, sem conseguir reunir a experiência que viveu em útero com a experiência que passará a viver com a gravidade do seu corpo empurrando-o para baixo e levando-o para o centro do mundo quando não estiver em contato com a pele e o corpo de outra pessoa. As mãos que seguram e sustentam o corpo nu do bebê no momento exato do nascimento são tão importantes quanto a própria experiência de nascimento ou o contato que ele passará a ter com o corpo da mãe a partir de então.Um bom exemplo disso são os vídeos da enfermeira francesa Sonia Rochel, dentre os quais se destaca o mais famoso deles, Thalasso Bain Baby. O vídeo mostra sua técnica de relaxamento criada para reativar a memória corporal do bebê, de até três meses de idade, provavelmente daquilo que foi vivido em útero. Sua técnica consiste em mergulhar inteiramente o corpo do bebê em uma cuba com água a não mais do que 27 graus, deixando, às vezes, apenas seus lábios fora d’água. O bebê começa desperto e aos poucos vai sendo embalado pela fala da enfermeira, pela forma com que ela toca todo o seu corpo, pela sensação da água morna em sua pele, de modo a provocar-lhe relaxamento e sono. O banho não dura mais do que quinze minutos. Na sequência, Sonia retira o bebê da cuba, enrola-o numa toalha, enxuga-o e faz uma massagem em toda a extensão do seu corpo, dirigindo-lhe palavras afetuosas, afirmando o quanto ele é querido e amado por sua mãe. A massagem, por sua vez, produz uma excitação autoerótica no bebê, indicada pela introdução do polegar na boca1. Não é por acaso o fato de que, em francês, "mar" e "mãe" apresentam-se com a mesma sonoridade: "la mer" e "la mère", o que nos leva a afirmar e depreender que o mar (la mer) no qual o bebê se banha é constituído pelo corpo da mãe (la mère) que se oferece como um continente de acolhimento às necessidades físicas, corporais e emocionais do bebê. Há todo um conjunto de experiências pelas quais o bebê passa em relação ao cuidado que pode ser exposto do seguinte modo: a mãe que o leva ao seio para amamentá-lo; a mãe que põe o bebê após a amamentação para liberação dos gases; a troca de roupas no cuidado e higiene com o bebê; a hora do banho e a forma como a mãe toca o corpo nu do bebê em toda a sua superfície; o enxugar e vestir o corpo do bebê; o momento em que o pai ou a mãe embalam o bebê para pô-lo para dormir, ou seja, uma gama de experiências expostas diretamente a partir do cuidado ambiental e expressa através do processo de relação materno-infantil que fazem com que a mãe e o bebê tenham uma experiência única vivida a dois e na total ausência de comunicação verbal.Desde que a psicologia do desenvolvimento ou a psicanálise passaram a estudar a relação mãe-bebê, desenvolvimentistas e analistas dispõem de métodos diferentes para alcançarem seus objetivos. Na medida em que só era possível chegar a algumas hipóteses a partir da observação direta do bebê com suas mães após o nascimento, a psicologia do desenvolvimento se interessava pelos aspectos cognitivos e de aprendizagem da vida infantil, enquanto a psicanálise buscava, na vida primitiva, uma relação com o inconsciente. Mas qual o melhor cenário para que essas observações fossem realizadas? A vida cotidiana do bebê em sua própria casa e em seu próprio meio ambiente? Seu comportamento a partir de experiências controladas em laboratório? A instituição escolar ou a partir das consultas pediátricas de rotina? Para Winnicott, não era essa a questão que estava posta, e sim encontrar um sentido para o olhar do observador na relação materno-infantil, ou então submeter ao ônus da prova às rememorações verbais com pacientes regredidos no transcorrer do tratamento analítico.Ora, sem acesso ao que acontecia no ventre materno por falta de recursos tecnológicos, o bebê se convertia em um verdadeiro segredo a ser descoberto na hora do parto pela mãe, pelo pai e suas famílias. Até o início da segunda metade do século passado, em cada gravidez não era possível saber se o bebê seria menino ou menina, se teria saúde ou se nasceria com algum problema ou ainda se o processo maturacional do feto chegaria ao fim no tempo certo ou seria antecipado.Tivemos de esperar anos para que as hipóteses psicanalíticas sobre a vida pré e pós-natal pudessem ser confirmadas a partir do advento da ultrassonografia, que corroborou muitas dessas especulações, definindo o que entendemos hoje como o início da vida primitiva dos bebês.Foi graças à ultrassonografia que algumas teses psicanalíticas puderam ser comprovadas a partir de imagens geradas pela tecnologia médica. O que essa tecnologia de imagem revelou foi a individualidade do feto, por um lado, e o modo como ele se relacionava com a mãe, por outro, fazendo com que eles estabelecessem uma comunicação, ainda que simbiótica e no nível pré-verbal. Muitas dessas interpretações e imagens faziam com que os pais, ou até mesmo os obstetras "antropomorfizassem" ou "adultomorfizassem" o feto, atribuindo-lhes sentimentos, intenções e volições, ressaltando ainda mais o narcisismo dos pais, o qual se evidencia em frases tais como "ele é muito nervoso", "ela será uma bailarina", "ele (ou ela) tem a cara do pai (ou da mãe)", "este aqui vai ser jogador de futebol", "como ela é pensativa!", "ele vai ter um bom caráter", "ele é preguiçoso", entre outras. O que ficou mais evidente, principalmente em fetos mais desenvolvidos a partir de seis meses de gestação, foi a necessidade de reconhecê-los como pessoas ou sujeitos humanos, pois "os bebês são humanos desde o início".As observações de bebês para Winnicott já era uma realidade desde o início dos anos quarenta, quando passou a examiná-los em suas consultas pediátricas junto às mães. Nessas consultas, o pediatra inglês utilizava-se de uma brincadeira com o bebê que consistia em analisar seu interesse por uma espátula e como isso poderia ser interpretado na relação materno-infantil, dando-lhe pistas acerca do seu desenvolvimento emocional. A criança podia ver naquele objeto algo do seu interesse ou apenas largá-lo após algum momento sem estabelecer relação alguma com objetos internos na figura do pediatra ou da sua mãe.Trabalhando como médico com crianças separadas da família em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, o psicanalista inglês Donald Winnicott encontrou um interessante campo de estudo que lhe permitiu perceber etapas fundamentais do desenvolvimento da pessoa. Foi assim que constatou, por exemplo, a importância do brincar e dos primeiros anos de vida na construção da identidade pessoal. As conclusões a que ele chegou são preciosas para o trabalho dos educadores.Boa parte dos conceitos de Winnicott se refere ao "desenvolvimento emocional primitivo", cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o "ambiente", representado geralmente pela mãe.Uma das frases famosas de Winnicott é "não existe essa coisa chamada bebê", querendo dizer que não há criança sem uma mãe (que não precisa ser necessariamente a que deu à luz). Vem daí a idéia da "mãe suficientemente boa", aquela cuja percepção - consciente ou inconsciente - das necessidades do bebê a leva a responder adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele. Isso faz com que se crie um ambiente - nomeado por Winnicott de holding (cuja melhor tradução para o português, segundo Bogomoletz, seria "colo") - propício a um processo de formação de um ser humano independente. "O holding é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe", diz ele. Começa como algo vital, como o oxigênio e a alimentação, e se dilui conforme o bebê cresce."Os educadores devem fornecer holding no ambiente escolar", segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo "inclusão", se for levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso - geralmente boazinha e obediente - a se tornar mais espontânea. "No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de 'mau comportamento'." Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira - fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. "Brincar pressupõe segurança e criatividade", diz Bogomoletz. "Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas."O cobertorzinho O movimento da psique entre o mundo das coisas e as fabricações da mente é uma atividade "transicional", adjetivo fundamental na obra de Winnicott. O conceito mais conhecido é o de "objeto transicional", representado classicamente pelo cobertorzinho a que muitos pequenos se agarram numa determinada fase. "Esse objeto é ao mesmo tempo uma coisa objetiva - existe num mundo compartilhado - e subjetiva - para seu dono, ele faz parte de uma fantasia, possui vida própria", explica Bogomoletz. Dessa forma, o objeto transicional prolonga o período em que o bebê se acredita onipotente, enquanto ele substitui essa crença com a aceitação de uma realidade sobre a qual não tem controle nem pode modificar por meio da imaginação. O bebê se vê com poderes mágicos e, com o tempo, percebe a ilusão. Mas, com as brincadeiras e o aprendizado do mundo, a criança, o adolescente e o adulto retêm o poder de criar e adaptam-se às possibilidades reais. "A fantasia é realmente a marca do humano", diz Bogomoletz. "Já a objetividade é uma habilidade que se aprende, como uma segunda língua.""A escola tem a obrigação de ajudar a criança a completar essa transição do modo mais agradável possível, respeitando o direito de devanear, imaginar, brincar", prossegue o psicanalista. O respeito que os pequenos terão pela objetividade será incorporado por eles, jamais imposto de fora para dentro. Quando livres para criar, eles, segundo Winnicott, vêem no estudo um modo de exercitar o poder de invenção. Se, no entanto, o ambiente escolar não for aberto à brincadeira, "os recreios serão tanto mais selvagens quanto as aulas forem mais opressoras ou supostamente sérias".

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Teoria de René Spitz acerca do Desenvolvimento Humano



Olá galera tudo bom com vocês?Comigo está tudo ótimo. Hoje vamos falar sobre René Spitz, cujo nome completo era René Árpád Spitz, veio ao mundo em 29 de janeiro de 1887. Seu nascimento ocorreu na cidade de Viena , sendo o mais velho de dois irmãos, filhos de Árpád Spitz e Ernestine Antoinette Spitz. Ele fazia parte de uma família importante e economicamente influente da Hungria e de origem judaica. Ele também tinha uma irmã mais nova, Desirée Spitz (mais tarde Bródy).Apesar de ter nascido em Viena, a família mudou-se para Budapeste, onde o jovem Spitz seria criado e começaria a se desenvolver e a treinar no nível acadêmico.Spitz entraria na Universidade daquela cidade, realizando estudos médicos. Além de Budapeste, ele estudou em outras cidades como Lausanne e Berlim. Durante esses anos, ele trabalhou com profissionais como Sandor Ferenczi e começou a se familiarizar com o trabalho de Sigmund Freud. Ele concluiu seus estudos em medicina durante o ano de 1910. Tudo isso fez de Spitz um grande interesse na psique e na teoria humanas. Psicanalítico.Um ano depois (em 1911) e por recomendação de Ferenczi, Spitz começaria a se analisar para aprender a aprender e acabou treinando psicologia psicanalítica. Tornou-se membro da Sociedade Psicanalítica Vienense em 1926, uma sociedade da qual ele participou de várias investigações. Mais tarde, em 1930, ele fez o mesmo na Sociedade Psicanalítica Alemã. No entanto, dois anos depois, em 1932, ele se mudou para a cidade de Paris, onde atuaria como professor de psicanálise na École Normale Supérieure . Além disso, pouco a pouco, seu interesse se concentraria na neurose infantil, começando a concentrar suas pesquisas no desenvolvimento de menores desde 1935.Mas chegou um momento em que o nazismo tomou o poder e um grande número de pessoas teve que emigrar para evitar a guerra, incluindo Spitz.Em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, esse importante profissional deixou Paris e foi exilado nos Estados Unidos sob o risco de sua vida por ter ascendência hebraica. Lá ele atuaria como professor no City College da City University of New York. Ele também produziu um filme com sua pesquisa que seria lançada em 1952 e também manteria um emprego como professor de psiquiatria no Hospital Lenox Hill.Mais tarde, ele se mudou para Denver, no Colorado, onde seria contratado como professor na Universidade do Colorado. Além de suas funções de professor, nesse período de sua vida, ele começaria a se concentrar cada vez mais nas relações entre mãe e filho e seria durante esse período vital que começaria a trabalhar com crianças órfãs.E seria com eles que ele descobriria um de seus conceitos mais conhecidos: depressão anaclítica. Analisaria também os efeitos do abandono e da privação afetiva, bem como o desenvolvimento infantil, analisando as relações objetais. Durante esse período, ele realizou numerosos estudos sobre neurose e desenvolvimento infantil a partir de uma perspectiva da psicologia psicanalítica e genética (buscando a veracidade dos dados em seu modelo). Ele também fez numerosos relatórios gráficos, como o produzido em 1952: “Doenças psicogênicas na primeira infância”.Em 1945, começaria a publicar na revista “O Estudo Psicanalítico da Criança”, e um ano depois seria publicada uma de suas grandes obras, na qual explicava o conceito de depressão anaclítica: o livro Anaclitic Depression, The Psychoanalytic Study of the Child. . Ao longo dos anos, ele fez um grande número de publicações e obras, além de continuar a ensinar na universidade. Ele foi finalmente nomeado presidente da Sociedade Psicanalítica de Denver em 1962 , cargo que ocupou até um ano depois.Entre os trabalhos e conceitos mais representativos do autor , destaca-se a concepção de depressão analítica , definida pela presença de irritabilidade, astenia , dependência, angústia, problemas de sono e alimentação, isolamento e apego e problemas precários no nível intelectual e comunicativo e motor. Essa sintomatologia parece derivada da existência de uma privação parcial de afeto durante a primeira infância, e especificamente nos primeiros dezoito meses, em que a criança não conseguiu se aproximar da mãe. Seus estudos foram realizados com crianças de até dois anos.Dentro desse conceito e elaborando sua teoria, ele estabeleceu a existência de três estágios em todo esse tipo de depressão: a fase pré-objeto, na qual o sorriso aparece como um mecanismo organizacional e não há possibilidade de distinção entre objetos ou objetos. Separada do resto, a fase do objeto precursor na qual começa a ser capaz de reconhecer o conhecido e, finalmente, a fase do objeto real, na qual uma diferenciação entre mãe e filho começa a ser entendida e a angústia quando ele se vai ; que também aparecem na angústia e na capacidade de dizer não.Suas observações o levaram a considerar que o relacionamento com a mãe é a origem e marca o conjunto de relações sociais . Ele também trabalhou em aspectos como aquisição de identidade. Outro conceito conhecido desse autor é o marasmo, que se refere ao surgimento de patologia em crianças com privação de afeto, podendo gerar um estado de grande perda de peso e apetite e que, em muitos casos, pode levar à morte da criança.A morte deste autor ocorreu em 11 de setembro de 1974, na cidade de Denver, aos 88 anos de idade.Embora ele não seja um autor especialmente conhecido pela maioria da população, seu legado ainda permanece: ele foi o primeiro a avaliar a existência de transtornos psiquiátricos em crianças e, especificamente, a mostrar interesse, analisar e avaliar a existência de uma clínica depressiva em menores. Suas obras e as de Bowlby são complementares, ajudando a entender elementos como o apego de menores. E a idéia de depressão anaclítica e reações como hospitalismo e marasmo são uma contribuição importante para a ciência. Nesse sentido, também incorpora certo rigor no manuseio da informação, obtido por meio de processos mais baseados em observação e menos abstratos do que outros psicanalistas.Estágios do Desenvolvimento:Spitz descobriu que no processo de estabelecimento das relações objetais a criança passa por três estágios: pré-objetal; objeto precursor, objeto real. O bebê não somente aumenta ou diversifica suas respostas, ele confere ao objeto um novo significado na medida do seu desenvolvimento.• 1º Estágio - Pré-Objetal Idade: até 3 meses: Inicia-se com o nascimento e termina em torno do 3º mês. A interação da criança com o ambiente externo é fisiológica; não existe vontade ou qualquer representação psíquica ou consciência. A criança não se distingue do meio, ou seja, não existe um objeto. Ela recebe os estímulos externos, e devido ao seu mecanismo de proteção interna, e nem os percebe.A única região que opera nesse momento é a cavidade oral, a boca. Tanto servindo para alimentação, necessidade fisiológica mais básica, quanto precursora dos futuros cinco sentidos: olfato, paladar, visão, audição e tato. A cavidade oral funciona, assim, como um ponto intermediário entre a percepção interna e externa.A amamentação é um momento especial para o bebê, pois as experiências da pele, mensagens ao ouvido unem-se à cavidade oral, transformando-o num imenso prazer para mãe-filho.O rosto humano estabelece-se, assim, como o primeiro sinal de memória do bebê, pois é o que mais a criança vê em uma situação que mobiliza afeto. Nenhum outro objeto é foco de atenção da criança neste período e/ou capaz de provocar a resposta ao sorriso. As emoções primárias, fome, sede, prazer e desprazer, são precursores do afeto. O sorriso surge apenas à figura humana, não acontecendo para objetos.A criança que sorri mostra-se capaz de experimentar uma emoção positiva, distingui-la e expressá-la. O sorriso aqui indica a maturidade emocional da criança – é significativo dentro da evolução da criança e denota pura recepção. A ausência de sorriso não se liga ao desenvolvimento, mas, sobretudo ao grau de envolvimento emocional da criança.Em algumas crianças hospitalizadas, Spitz não encontrou o sorriso. Pelo contrário, elas, após observarem o adulto por alguns minutos, viram para o lado, tornando impossível contato emocional. Nada parecia lhes interessar; comum em crianças enclausuradas por muito tempo em camas de hospital, tratamentos longos e difíceis.2º Estágio - Precursor do ObjetoIdade: 3 aos 8 meses: O surgimento do tônus muscular leva à sustentação da cabeça e do tronco, e posteriormente, a criança consegue manter-se sentada e com capacidade de pegar e largar objetos voluntariamente.O bebê de quatro meses pode ser visto tocando a boca, os dedos, até mesmo junto com a mamadeira, observando seus dedos no momento de preensão. Em torno do 6º mês, muitas vezes é visto tocando os próprios pés, interessando-se pelos membros inferiores.A relação com a mãe é especial, sendo que a criança mostra desconforto quando abandonada pela mãe, o que ainda não acontece quando é privada de algum brinquedo. Surge a reação de medo entre o 4º e 6º mês aproximadamente, dirigido a um objeto, pessoa ou coisa, com a qual a criança teve uma experiência negativa.É comum a criança chorar ao entrar em consultório médico, mais ainda no consultório odontológico. Mas é passageira, basta que a criança veja a mãe para que a angústia suma. Quando um estranho se aproxima, basta que ele se vire de costas para que o medo da criança seja superado. No entanto, principalmente durante as consultas médicas e odontológicas, quem deve entender primeiro essa questão do medo é a mãe, que servirá de apoio e reforço positivo para a criança.A manifestação de desconforto passa a ser através do choro, tampar o rosto e virar a cabeça. As relações da criança tornam-se mais complexas, inicia-se a compreensão de ordens, proibições, de gestos sociais como dar adeus e dar a mão.As crianças e pais imitam-se alternadamente ou ao mesmo tempo. As imitações dos pais são como exemplo: estalar a língua, bater palminhas, falar igual ao bebê. Isso muito contribui para o desenvolvimento da criança. Os pais são os veículos transmissores de cultura para a educação de seus filhos, sendo importantes as imitações que aproximam do nível de entendimento da criança. A relação calorosa interfere positivamente na tentativa da criança de ser como o modelo oferecido.• 3º Estágio - Objeto Real Idade: 8 a 12 meses: Tem início quando a criança prefere a mãe, apresentando sinais visíveis de ansiedade diante de um estranho. Criança e mãe comunicam-se cada vez mais de forma direcionada e os gestos da mãe passam a ter significado para a criança e vice-versa. O primeiro desse sinal é o balançar de cabeça indicativa de “não”. A partir do 8º mês, mais ou menos, se a mãe interrompe a atividade da criança dizendo “não” e balançando a cabeça, a criança para a atividade evidenciando o entendimento do sinal.A partir daí surge a linguagem na vida da criança. No início composta de palavras incompletas, até aproximadamente 18 meses. Em regra sua linguagem expressa suas necessidades e representa um pedido de ajuda. Só mais tarde inicia-se a comunicação com ajuda de símbolos verbais. Quando o bebê pronuncia “mamã”, isto pode significar muitas coisas e até frases, como: “estou com fome”; “quero água”; “tire-me daqui”.O gesto “não” interfere diretamente nas relações objetais, nas relações da criança com o meio. Inicia-se a chamada fase da teimosia. A mãe que até então funcionava como o ego externo da criança decidindo sobre os passeios, o local de ir, a alimentação, o que pegar, vê-se obrigada a repreender e impedir uma série de atividades. O acontecimento mais marcante dessa fase é que a criança agora sabe usar o “não” para decidir sobre o quer e o que não quer.

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Abraços,

Rebeca Lucena Dantas

Pedagoga

Discente do Curso de Pedagogia-UECE/CE


 


Vida e Obra Eva Furnari

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